Eleições antecipadas? "Nenhum Presidente toma decisão" sem ponderar circunstâncias internas dos partidos

António Lobo Xavier não acredita que Marcelo Rebelo de Sousa não tenha ponderado as circunstâncias internas no PSD e CDS para pensar na data das eleições legislativas antecipadas. O antigo deputado do CDS-PP também considera que o BE e o PCP são os maiores responsáveis pela crise política instalada.

Lobo Xavier é um dos conselheiros de Estado que se preparam para se pronunciar e para serem ouvidos por Marcelo Rebelo de Sousa sobre a dissolução do Parlamento, na sequência do chumbo do Orçamento, já esta quarta-feira, às 17h00. Horas antes de ser recebido pelo Presidente da República, António Lobo Xavier considera, em entrevista à TSF, que uma crise política nunca é boa, sobretudo num país com dificuldades, mas diz acreditar que, dadas as circunstâncias, a convocação de eleições é a melhor forma de resolver o problema criado pelo chumbo do OE.

"É uma crise política não desejável. As crises políticas não são boas para nenhum país, em circunstâncias nenhumas. Para os países mais frágeis e com mais dificuldades, atingidos por vários tipos de crise - crises económicas, crises sanitárias... -, as coisas ainda se tornam mais complexas." No entanto, ressalva o antigo líder parlamentar centrista, "as democracias têm os seus mecanismos para que os países possam continuar em frente".

Quando questionado sobre os responsáveis por esta crise política, Lobo Xavier não tem dúvidas: são, "obviamente, o Bloco e o PCP". E explica: "Sem nenhuma preocupação de estigmatizar, era deles que se esperava o suporte parlamentar, foi com eles que foi combinado esse suporte parlamentar, e, como ele falhou, apesar das tentativas do PS, objetivamente eles são os responsáveis em primeira linha pela situação."

Ao antigo deputado e líder parlamentar do CDS não passa pela cabeça que o Presidente da República não tenha ponderado as circunstâncias internas no PSD e CDS, e sublinha que o chefe de Estado terá de ter em conta as disputas eleitorais em curso dos dois partidos quando anunciar a data das eleições, embora admita que "os partidos têm de se adaptar e adaptar as suas agendas às inevitabilidades e às surpresas das circunstâncias políticas".

"Nenhum Presidente da República toma uma decisão destas sem ter a esperança, pelo menos, de que as coisas no país possam melhorar, e nenhum Presidente da República toma uma decisão destas sem se assegurar dos mínimos relativamente às agendas dos partidos que foram apanhados no meio de discussões internas e de eleições internas", comenta o conselheiro de Estado, que se diz "crente de que esses mínimos serão assegurados".

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