PSD pede debate de urgência na Europa sobre seca. PS concorda "sem ciúmes" e PCP lembra proposta rejeitada

Chefe da delegação do PSD no Parlamento Europeu sublinha a necessidade de uma resposta urgente da Comissão Europeia aos problemas vividos pelos agricultores. PS diz que "vale a pena fazer" debate e PCP recorda proposta rejeitada por socialistas e social-democratas há dois anos.

O PSD pediu um debate de urgência no Parlamento Europeu sobre a seca em Portugal. O pedido foi aprovado esta quarta-feira na reunião do grupo de trabalho para a agricultura do Partido Popular Europeu e deverá ser discutido na quinta-feira, na reunião de conferência de presidentes que irá avaliar a possibilidade de ser incluído na agenda da reunião plenária.

Álvaro Amaro, social-democrata e membro da Comissão da Agricultura, não tem dúvidas de que a situação de seca em Portugal é dramática.

"Quase metade do território (45%) sofre de seca extrema ou severa. O resto do território está sob seca moderada, o que significa que nenhuma parte de Portugal está livre de seca. Há 17 anos que não havia tanta zona do país em seca grave nesta altura do ano. Uma grande parte de Espanha também sofre das mesmas condições, nomeadamente zonas como a Catalunha, Andaluzia e Galiza. Não só as condições de seca podem alastrar-se a outras partes da Europa como as consequências causadas pela seca podem ser sentidas em toda a União", explicou Álvaro Amaro no comunicado enviado pela delegação do PSD no Parlamento Europeu.

José Manuel Fernandes, chefe da delegação do PSD no Parlamento Europeu, sublinha a necessidade de uma resposta urgente da Comissão Europeia aos problemas vividos pelos agricultores.

"Neste momento estamos numa situação dramática em Portugal. Os agricultores veem também os preços no contexto de produção a serem aumentados e a falta de água agrava a situação. No caso de muitas culturas, reduz ainda os pastos e agrava, no fundo, o orçamento que os agricultores têm disponíveis. O que pretendemos é que a Comissão Europeia ajude os agricultores através das linhas de financiamento que têm para as crises", explicou à TSF José Manuel Fernandes.

O eurodeputado social-democrata afirma que Portugal enfrenta a situação de seca mais preocupante em toda a Europa.

"Nos outros países, Espanha está também numa situação de dificuldade, mas há outras zonas da União Europeia onde esta situação acontece. A nossa situação é a pior em termos europeus, mas neste momento o nosso objetivo é a ajuda aos agricultores. Não tenho dúvida de que este é um problema que atinge todos, não haverá aqui nenhum ciúme pelo facto de a iniciativa política ter partido do PSD", acrescentou o chefe da delegação do PSD no Parlamento Europeu.

PS "sem ciúmes" concorda com debate sobre seca

No que diz respeito ao PS, pelo menos, não há ciúmes. O eurodeputado Carlos Zorrinho defende que este é um debate que vale a pena fazer.

"Debater a seca em Portugal, na União Europeia e no mundo é sempre um debate que vale a pena fazer", afirmou Carlos Zorrinho.

Para João Pimenta Lopes, do PCP, a iniciativa é útil, mas não resolve os problemas estruturais. O eurodeputado comunista lembra que PS e PSD rejeitaram, há dois anos, a proposta do PCP para combater a seca.

"PS e PSD votaram contra um plano que propunha um conjunto de medidas, há dois anos, que permitiriam fazer um caminho para responder de forma clara e cabal a problemas que são recorrentes. Naturalmente trata-se de uma discussão sobre uma situação que está a decorrer e que é útil que seja feita, mas que não responde no essencial aos problemas estruturais do país de uma desregrada utilização dos recursos hídricos", lembrou João Pimenta Lopes.

O PCP já enviou uma pergunta escrita à Comissão Europeia sobre a seca, na semana passada.

"A proposta que apresentámos à União Europeia foi no sentido de compreender que apoios podem ser mobilizados para os pequenos e médios agricultores, tendo em conta a situação que se prevê que agrave nos próximos tempos. É necessário saber com que apoios é possível contar e se o Estado português já mobilizou fundos para esse fim, mas mais importante do que as medidas paliativas são as mais de fundo e estruturais que têm de ser pensadas", acrescentou o eurodeputado do PCP.

No entanto, o PCP ainda não teve resposta do Comissão Europeia.

O debate, se for aprovado na quinta-feira em conferência de presidentes, irá decorrer na próxima semana em Estrasburgo.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de