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Trump envia "czar da fronteira" para Minnesota. Ex-diretor do ICE vai controlar operações anti-imigração

Uma mulher segura um cartaz ("Parem já o terror do ICE!") num memorial improvisado a Alex Pretti no sul de Minneapolis, Minnesota, EUA, a 25 de janeiro de 2026. Créditos: Craig Lassig/ EPA

Tom Homan, que chegará ao Minnesota esta noite, foi uma das caras por trás da política de "tolerância zero", que levou à separação de milhares de crianças migrantes dos pais, sem formalizar planos para a sua reunificação

Nas ruas de Minneapolis, no estado do Minnesota, ainda se recupera da morte do enfermeiro de 37 anos Alex Pretti às mãos da polícia anti-imigração (ICE, em inglês), mas Donald Trump vai proceder ao próximo passo da operação contra os imigrantes.

O Presidente dos Estados Unidos anunciou esta segunda-feira que está a enviar para o estado democrata o "czar da fronteira" ("border czar", no texto original), Tom Homan. O anúncio foi feito através da rede social Truth Social, onde Donald Trump notificou que enviará o funcionário esta noite e acrescenta: "[Tom Homan] não esteve envolvido nesta região, mas conhece e gosta de muitas das pessoas de lá."

Na política americana, o termo "czar" define alguém que tem um cargo importante do poder executivo, sendo responsável por uma área específica do sistema político. O Presidente pode nomear este "czar" sem a aprovação do Senado e dos seus mecanismos de controlo.

Na publicação que fez na Truth Social, o próprio Donald Trump confirmou esta valência para a sua Administração, considerando Tom Homan "rigoroso, mas justo", e confirmando que "reportará diretamente" ao Presidente dos EUA.

Também Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, já se pronunciou a favor do ex-diretor do ICE, reivindicando que será "o responsável pelas operações do ICE no Minnesota, dando continuidade à detenção dos imigrantes ilegais criminosos".

Tom Homan foi nomeado "czar da fronteira" por Donald Trump em novembro de 2024. À data, o chefe de Estado descreveu-o como um "defensor acérrimo do controlo das fronteiras".

Quem é Tom Homan?

O ex-polícia de Nova Iorque e agente da Patrulha de Fronteiras chefiou a divisão de deportações do ICE em 2013, durante a Administração de Barack Obama. Sob a sua coordenação, a agência alcançou um número recorde de deportações formais.

Foi promovido a diretor interino do ICE no primeiro mandato de Donald Trump. Segundo a CBS News, foi uma das caras por trás da política de "tolerância zero", que levou à separação de milhares de crianças migrantes dos pais, sem formalizar planos para a sua reunificação. Em 2018, deixou o ICE.

Passados seis anos, em outubro de 2024, numa entrevista à mesma televisão norte-americano para o programa "60 Minutos", chegou mesmo a descrever como o Governo iria realizar a maior operação de deportação da história norte-americana, seguindo a mesma linha das promessas que Donald Trump fazia na campanha.

Tom Homan deve, então, chegar esta noite à capital dos protestos anti-ICE.

Em simultâneo, o The New York Times avança esta tarde que os advogados do Minnesota continuam num tribunal federal a tentar impedir o aumento do número de agentes do ICE na região. A audiência, que ocorre a pedido do estado, decidirá se o envio dos agentes pela Administração Trump viola a soberania estadual garantida pela 10.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

Tanto o Presidente como a porta-voz referem ainda um suposto desvio "de milhares de milhões de dólares dos contribuintes do Minnesota". Donald Trump relaciona os protestos anti-ICE com uma alegada "fraude maciça de mais de 20 mil milhões de dólares no sistema de assistência social no Minnesota" e garante que está em curso uma investigação.

Mariana Caparica