O dia em que o vandalismo chegou a Alcochete e chocou o mundo do futebol

Tão depressa ninguém esquecerá aquela tarde de 15 de maio. Os adeptos que invadiram o centro de treinos e agrediram jogadores e equipa técnica mergulharam o Sporting na maior crise institucional de sempre. Seis meses depois, a detenção do ex-presidente do clube é um sinal claro que o caso está longe de ficar resolvido.

Nunca por cá se tinha visto um episódio semelhante. No dia 15 de maio deste ano, entre 40 a 50 adeptos encapuzados invadiram a Academia do Sporting, em Alcochete, levando tudo à frente. Dentro das instalações do clube, onde não permaneceram mais de dez minutos, deixaram um rasto de destruição e agrediram jogadores, equipa técnica e elementos do staff.

O vídeo cedido à TSF pelo Jornal de Notícias mostra o caos que nessa tarde se instalou no balneário onde se deram as agressões (ver em baixo).

Um segundo vídeo (ver em baixo), mostra o momento subsequente às agressões, quando os adeptos abandonam a Academia de Alcochete, atravessando o relvado de cara tapada.

Este episódio de violência aconteceu num momento crítico da época, quando os leões treinavam para o jogo da final da Taça de Portugal, em que iriam defrontar o Desportivo das Aves no Jamor - saíram derrotados.

Nessa mesma noite, o Governo confirmou que 21 pessoas tinham sido detidas pela Guarda Nacional Republicana, na sequência dos incidentes na Academia.

"Vão ser presentes à justiça e, nessa medida, estão detidos para responder", disse a secretária de Estado-Adjunta da Administração Interna, Isabel Oneto, numa declaração conjunta com o secretário de Estado do Desporto e Juventude. O Executivo tinha pressa em garantir, sobretudo, as condições de segurança para se jogar a final da Taça de Portugal.

E esta era apenas uma das muitas reações que se seguiram, incluindo das mais altas figuras do Estado português.

O Presidente da República chegou mesmo a admitir sentir-se vexado depois dos incidentes. Marcelo Rebelo de Sousa considerou que era preciso deixar de fazer de conta que o que se passa no futebol nacional não era grave. E declarou: "Ontem tive o sentimento oposto. Tive o sentimento de alguém que se sente vexado pela imagem projetada por Portugal no mundo".

Ninguém ficou indiferente ao episódio, muito menos os sportinguistas. Na noite de 15 de maio, várias centenas de adeptos fizeram uma vigília junto ao Estádio José Alvalade, num protesto contra a violência.

No dia seguinte ao ataque, e em comunicado, o Ministério Público atualizava as informações. Não eram 21 mas 22 os suspeitos detidos para interrogatório judicial, e em causa estavam inúmeros crimes, entre eles a "introdução em lugar vedado ao público, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência, detenção de arma proibida agravado, incêndio florestal, resistência e coação sobre funcionário e também de um crime de terrorismo."

Em Julho, já eram 37 os suspeitos em prisão preventiva, entre eles elementos da Juve Leo, que anunciou a decisão de suspender 14 sócios da claque até que o processo judicial estivesse concluído. Do lote dos detidos, fazia já parte o antigo líder da Juventude Leonina Fernando Mendes .

Em Agosto último, o juiz de instrução criminal do Barreiro manteve a medida de prisão preventiva ao primeiro grupo de detidos, 23 de um total de 37 arguidos detidos. Considerou que "se mantêm os pressupostos" para tinham levado à aplicação da medida de coação mais gravosa.

A estas dezenas de detidos juntam-se agora o ex-presidente leonino Bruno de Carvalho e o líder da claque Juventude Leonina, conhecido como Mustafá.

Depois dos incidentes na Academia de Alcochete, seguiu-se uma grave crise no Sporting: alguns dos jogadores agredidos pediram a rescisão dos seus contratos, alegando justa causa, Bruno de Carvalho foi afastado da presidência, o clube avançou para eleições antecipadas e Jorge Jesus deixou de ser o treinador.

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