Luís Montenegro fala ao país sobre o PSD esta quarta-feira

As movimentações internas no PSD começam a acelerar e os candidatos ao lugar de Rui Rio fazem os últimos preparativos para a batalha interna. Montenegro vai falar esta quarta-feira, na SIC, e novamente antes do jantar que tem em Espinho, na sexta-feira.

Nas trincheiras fazem-se os últimos preparativos antes do "salto" para o campo de batalha. Ninguém quer chegar nem demasiado cedo, nem demasiado tarde. E estão todos à espera que o adversário dê o primeiro passo. A guerra interna do PSD não está prestes a recomeçar porque, verdadeiramente, nunca parou. Nem mesmo durante a campanha eleitoral, onde ficou apenas mais adormecida. Mas agora que estão contados os votos e que se confirma a derrota dos sociais-democratas nas legislativas é altura de pegar nas armas novamente e enfrentar o inimigo.

E é aqui que começam as dúvidas. Será que Rui Rio vai comparecer? Na noite eleitoral o presidente do PSD evitou uma resposta definitiva, pediu "serenidade e ponderação" e disse que queria "ouvir as pessoas". Coisa que já começou a fazer. Tudo o mais é, de facto, ponderação: sobre as reais condições que tem para voltar a ganhar o partido, sobre o desenho da futura solução política que António Costa ainda terá que encontrar e, claro, sobre a vontade que tem ou não de continuar esta guerra política.

Montenegro não espera mais

Que Luís Montenegro vai avançar com uma candidatura à liderança do PSD já não é notícia. O social-democrata vai ser entrevistado, esta quarta-feira, na SIC.

A estratégia já estava montada há muito tempo. Logo que fossem conhecidos os resultados das eleições, os apoiantes de Luís Montenegro começariam a falar na comunicação social a exigir eleições internas e a demissão de Rui Rio. Foi isso que fez o ex-deputado Luís Meneses, Almeida Henriques, presidente da câmara de Viseu ou João Moura, da distrital de Santarém, entre muitos outros que se têm desdobrado em entrevistas e declarações de ataque à atual direção.

Logo atrás do "primeiro batalhão", virá o "general". Luís Montenegro tem também um jantar agendado para esta sexta-feira em Espinho, com cerca de 400 militantes do PSD, para celebrar dez anos da vitória autárquica do PSD sobre o PS.

Miguel Pinto Luz também avança

Por falar em segredos, mas mal guardados: a candidatura de Miguel Pinto Luz, desta vez, vai mesmo avançar. A decisão do vice-presidente da câmara de Cascais está tomada há muito tempo, independentemente dos resultados das eleições legislativas e dos candidatos que decidirem chegar-se à frente.

Com menos tropas que Montenegro, a estratégia do ex-líder da distrital de Lisboa não é, no entanto, muito diferente. Para a frente de batalha vieram primeiro os principais entusiastas da candidatura de Pinto Luz, com Miguel Relvas à cabeça. O ex-secretário-geral do PSD falou em exclusivo à TSF esta segunda-feira para pedir "uma lufada de ar fresco" e uma "nova liderança" para o partido. Nas próximas horas, devem surgir outros, com discurso idêntico, como quem está a desbravar caminho para o anúncio de Pinto Luz que, tendo tudo pronto para avançar, acompanha também taticamente as movimentações dos adversários.

Quem aparece mais?

O número de candidatos à liderança do PSD não deve ficar-se por aqui. A ponderar estão neste momento Miguel Morgado, ex-assessor de Pedro Passos Coelho e Jorge Moreira da Silva, ex-ministro do mesmo governo. Em entrevista à SIC Notícias, Miguel Morgado responsabilizou diretamente Rui Rio pelo resultado desastroso nestas eleições legislativas, mas recusou-se a anunciar, para já, uma candidatura.

Já Moreira da Silva, que está neste momento a trabalhar na OCDE, aguarda também os desenvolvimentos no PSD. Ao que a TSF apurou o ex-ministro não é uma carta fora do baralho, mas ainda não terá tomado uma decisão.

De fora parece ficar Paulo Rangel, um nome que se repete a cada processo eleitoral no PSD. Dentro do partido há quem lembre a derrota nas últimas europeias, o que não é propriamente um bom "cartão-de-visita" para uma candidatura à liderança. A TSF tentou falar com o eurodeputado, até agora sem sucesso.

Antecipar calendário é pouco provável

Com o mandato a terminar no início de fevereiro, Rui Rio estará pouco disponível para antecipar o calendário interno. Em circunstâncias normais, as diretas no PSD terão sempre que acontecer no início de janeiro e o congresso um mês depois, tal como aconteceu há dois anos. Ora, pelas contas da direção do partido, o processo de preparação leva sempre dois e meio a três meses, o que torna difícil a antecipação das eleições diretas e do congresso.

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