"Vimos a esquerda a desviar-se para ser ultrapassada pela direita"

Mário Centeno acredita que os partidos que aprovaram o diploma "não têm nada a ver uns com os outros", considerando que a esquerda se afastou para deixar a direita passar.

Depois de António Costa ter admitido que se demite caso o diploma sobre a contagem do tempo de serviço dos professores seja aprovado, Mário Centeno explicou que é preciso "clarificação" para os portugueses, antevendo consequências para o país.

Em entrevista à SIC, o ministro das Finanças garantiu que "o que vimos foi a esquerda desviar-se, para ser ultrapassada pela direita e aprovar algo que não estava nas nossas posições comuns".

E, depois da ultrapassagem, a bola mudou rapidamente de flanco, levando Centeno a uma comparação com o mundo do futebol: "Arrisco a dizer que Mourinho e Guardiola, quando treinavam o Real Madrid e o Barcelona, discutiam mais as táticas das suas equipas do que partidos discutiram a educação em Portugal em conjunto. Não têm nada a ver uns com os outros."

O governante esclarece que "nenhum partido com assento parlamentar colocou esta matéria no seu programa eleitoral", o que considera uma "falta de respeito pelos eleitores, pelos contribuintes e por todos os portugueses".

Mais uma vez, o Governo insiste na ideia do impacto orçamental, e reitera que 800 milhões de euros significa uma "capacidade de transformação do Orçamento muito grande", sendo que "passamos de uma despesa de 240 milhões de euros para uma despesa de 800 milhões de euros".

Apesar de considerar que "não há nenhum desentendimento", o ministro especifica que "as cautelas não se medem por estarmos sozinhos".

Questionado sobre o orçamento retificativo, a que Costa se referiu esta tarde, Centeno revelou que esse tipo de documentos fazem parte do "passado", já que Portugal e o Governo têm "uma credibilidade interna e externa de uma política orçamental que não é compatível com retificativos".

Neste sentido, o ministro das Finanças refere-se ao que aconteceu esta quinta-feira como um "espetáculo triste para a democracia no sentido da impreparação com que os documentos foram feitos".

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