Governo "encenou um golpe." CDS desafia Executivo a apresentar uma moção de confiança

Assunção Cristas acusou os socialistas de desonestidade e desafiou o Governo a apresentar uma moção de confiança.

Assunção Cristas acusou o Governo de vitimização depois da aprovação da contagem integral do tempo de serviço dos professores que deixou os socialistas isolados nas votações no Parlamento.

O Governo "montou uma fantochada para se vitimizar e encenou um golpe. Quer rescrever a história, acusando tudo e todos de irresponsabilidade", condenou a líder centrista em conferência de imprensa.

"Este é mais um episódio grave de um Governo que julga que pode criar e recriar a realidade a seu bel-prazer (...) Não aceitamos esta vitimização desonesta".

Assunção Cristas acusou os socialistas de "atirar areia para os olhos de pessoas": a alteração aprovada não vai representar nenhum tipo de acréscimo de despesa para o ano em curso - "não há qualquer proposta irresponsável como querem fazer querer".

A líder do CDS desafiou ainda o Governo a apresentar uma moção de confiança.

"Se quer eleições assuma-o (...) do nosso lado estamos sempre preparados para eleições."

"Um espetáculo de enorme irresponsabilidade" - é assim que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, classifica o caso em entrevista à TSF , apelando aos partidos que reconsiderem a decisão.

Isto depois da aprovação, na especialidade, de uma alteração ao decreto do Governo, estipulando agora claramente que o tempo de serviço a recuperar são os nove anos, quatro meses e dois dias reivindicados pelos docentes.

Na comissão parlamentar de Educação e Ciência, uma nova redação do artigo 1.º do diploma foi aprovada com os votos do PSD e CDS e abstenção do PCP e do Bloco.

Ficou ainda acordado que os dois anos, nove meses e dois dias de tempo de serviço congelado aos professores que o Governo queria devolver faseadamente sejam pagos até 2020 e com efeitos retroativos a janeiro de 2019.

O Governo e o PS têm considerado que esta medida terá "pesado" impacto financeiro nas contas públicas, entre 600 e 800 milhões ao ano, apresentando também problemas de constitucionalidade. O líder parlamentar do PS, Carlos César, abriu mesmo a porta a uma eventual demissão do Governo.

O primeiro-ministro convocou de emergência os membros da coordenação política do Governo para uma reunião de trabalho esta sexta-feira, em São Bento, com a presença do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

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