Jerónimo acusa Governo de "pressão inaceitável" e "cálculo eleitoralista"

Secretário-geral do PCP considera que toda a situação "parece" uma jogada de campanha de António Costa.

Jerónimo de Sousa garantiu esta sexta-feira, que o PCP vai manter a sua posição em relação à recuperação das carreiras dos docentes e acusa o Governo de estar a fazer uma "pressão inaceitável" que diz ser de "cálculo eleitoralista".

António Costa ameaçou, durante esta tarde, com a demissão do Governo caso o diploma que prevê a recuperação de nove anos, quatro meses e dois dias das carreiras dos professores seja aprovado no Parlamento.

A falar aos jornalistas em Coimbra, o secretário-geral do PCP recusou as razões utilizadas pelo Governo para justificar esta tomada de posição, considerando que partem "de uma base errada, ou não rigorosa" e criticou aquilo que diz ser a perseguição "do objetivo da ditadura do défice".

O líder dos comunistas acusou ainda o Executivo de ser "mais papista que o Papa em relação ao nível do défice" e de não se preocupar com o "atirar sistemático" de milhões de euros para compensar os problemas "da Banca e dos banqueiros".

Sem querer colocar a "veracidade e força" das palavras de António Costa em causa, Jerónimo de Sousa garantiu que a posição do PCP não vai ser alterada na luta pelo "objetivo em relação ao tempo de serviço" e que quaisquer contas serão prestadas "aos trabalhadores e ao povo e não, com certeza, ao Governo do PS".

Sobre as reivindicações dos outros sindicatos, Jerónimo lembra que elas sempre existiram, embora admita que "os professores tiveram mais visibilidade por causa da intensa luta que travaram".

O secretário-geral comunista lembra que "a reivindicação esteve sempre presente no quotidiano" das outras classes profissionais e que, por isso, "era possível encetar o caminho" do acordo. Tal não foi possível, defende, pela posição tomada do Governo - e que "tende a ser definitiva, de dizer não ao que é uma reivindicação".

Questionado sobre se esta é uma jogada de campanha por parte de António Costa, Jerónimo de Sousa foi claro: "Se não é, parece."

Momentos antes destas declarações de Jerónimo de Sousa, o também comunista João Oliveira garantia no Parlamento que o PCP não se deixará "condicionar" em "função da chantagem do Governo". "Nós manteremos a nossa coerência de contribuir para haver avanços na solução desses problemas", reiterou.

O início da guerra entre professores e Governo remonta a 2017 e à aprovação do Orçamento do Estado de 2018. Desde aí, a Fenprof, encabeçada por Mário Nogueira, abriu uma guerra com o Governo que levou a trocas de acusações e até a ruturas nas negociações. Recorde aqui os pontos-chave desta discussão.

O diploma de recuperação de dois anos, nove meses e 18 dias do tempo congelado foi aprovado a 7 de março e promulgado pelo Presidente a 11 de março. A contabilização total foi agora aprovada em Parlamento. Mas, afinal, quanto custará aos portugueses? Encontre aqui a resposta a esta e outras questões.

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