Stephen Hawking

Aluno de Hawking recorda ser humano com uma capacidade de superação impensável

Orfeu Bertolami teve Stephen Hawking como professor há 25 anos. À TSF, recorda "um cientista extraordinário, de um ser humano com uma capacidade de superação e de resiliência impensáveis".

Orfeu Bertolami, professor no departamento de Física e Astronomia da Universidade do Porto, foi aluno de Stephen Hawking em 1983 na Universidade de Cambridge.

Na altura, o físico não tinha ainda ao dispor o sintetizador de voz que lhe permitia falar. "Era muito diferente. Ele murmurava e um assistente escrevia no quadro", recorda.

Para Orfeu Bertolami, a experiência de ter aulas com Hawking foi marcante e determinou as investigações que desenvolveu mais tarde.

Por causa desta limitação provocada pela Esclerose Lateral Amiotrófica, diagnosticada quando tinha apenas 21 anos, o físico britânico desenvolveu uma memória extraordinária.

"Por conta das suas limitações, ele introduziu uma série de métodos geométricos para atacar problemas no contexto da Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Começou a estudar aspetos dessa teoria que na altura eram considerados curiosidade e peculiaridades", recorda.

Para o professor da Universidade do Porto, "estamos a falar de um cientista extraordinário, de um ser humano com uma capacidade de superação e de resiliência impensáveis".

Orfeu Bertolami destaca o imenso legado que deixa Stephen Hawking. "Um conjunto de descobertas e métodos, a Cosmologia Quântica como metodologia para resolver os problemas intrínsecos da Relatividade Geral e deixa também uma outra descoberta notável que é a previsão de que os buracos negros teriam a si associados uma radiação térmica", salienta, "esta é uma descoberta dos anos 70 que foi absolutamente surpreendente e talvez seja o seu maior legado. Hoje todos se referem a essa radiação como a Radiação de Hawking".

Por isso, Bertolami não tem dúvidas: se essa radiação tivesse sido provada, Hawking teria ganho o prémio Nobel.

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