O som está a "ganhar terreno" e é preciso "cativar mais as pessoas a ouvir rádio"

A comunicação social e os desafios dos nossos dias foram tema de conversa no Almoço TSF, onde especialistas analisaram a forma como a rádio chega às pessoas, como pode cativar e chamar ouvintes.

"Enquanto jovem tiro grande proveito da rádio." Esta frase é cada vez mais rara de se ouvir quando falamos da rádio como órgão de comunicação social, mas Tomás Morgado acredita que falta aos jovens "conhecer melhor aquilo que a rádio tem para lhes oferecer e que proveito podem ter".

O estudante do secundário esteve esta manhã no Cinema São Jorge, onde a TSF abriu as portas a uma emissão especial. Entre muitas caras mais velhas, sentou-se na primeira fila, atento ao que se estava a passar no estúdio montado em cima do palco.

Tomás admite que a rádio é "companhia durante os caminhos de casa para a escola", mas também na hora de ouvir notícias e relatos de futebol. "Os jovens procuram muito o visual, o atrativo e nisso a televisão trouxe muito mas penso que quem tem uma vida de estudante ativa acho que dá muito mais jeito a rádio em que as notícias são de 10 minutos e é focado no que interessa, esclarece.

Numa altura em que a comunicação social tem tido a necessidade de se reinventar, surge a discussão em torno da rádio, das redes sociais, das fake news. No Almoço TSF, José Magalhães, deputado do PS e ex-comentador no "FlashBack" e "Quadratura do Círculo", assegura que "está aberto o campo para uma criatividade imensa e que isso não é explorado".

"Cada época tem a sua tecnologia inovadora e esta tem o benefício de ter tido uma explosão daquilo que chamamos redes sociais", começou por dizer, citando um estudo do Observatório da Comunicação que confirmou "uma intuição que a televisão continua a ser dominante" em relação, por exemplo, às redes sociais.

Desta forma, José Magalhães refere que, em Portugal, "o risco de haver dano resultante de desinformação, das chamadas fake news, é relativamente baixo, o que não significa que devemos estar de braços cruzados". "É um panorama para o qual não temos respostas absolutas e devemos concretizá-las o máximo que seja possível", assegura.

Já Madalena Oliveira, doutorada em Ciências da Comunicação e professora, salvaguarda que um dos problemas é que "o apelo à rádio não é direto, a rádio chega muito tarde à vida das pessoas, ao contrário, por exemplo, da televisão", designadamente por não haver "uma programação infantil na rádio".

"Um estudante quando chega à universidade para um curso de Ciências da Comunicação não tem a rádio no seu horizonte, é um meio que vão descobrindo aos poucos, mas com o qual acabam de ter uma relação de grande intimidade no final", conta, apesar de admitir que continua a não haver um "sucesso de massas".

Por outro lado, Ana Sofia Paiva, mestre em jornalismo e ex-estagiária da TSF, acredita que "a rádio pode aproveitar a sua matéria-prima, que é precisamente o som".

"Vivemos num tempo em que o som está cada vez mais a ganhar terreno. Temos a emancipação dos podcast, no WhatsApp utiliza-se mais a possibilidade de gravar um áudio e mandar e a rádio pode aproveitar a sua essência", explica, revelando que é preciso encontrar soluções para chamar pessoas à rádio.

O som binaural que estuda, diz, surge como uma ideia para "completar a narrativa jornalística, cativar mais as pessoas a ouvir rádio e embelezar mais a rádio".

* Almoço TSF moderado por Nuno Domingues

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