Paulo Baldaia

Paulo Baldaia

Quem tramou Pedro Nuno Santos?

A resposta à pergunta que faz título desta crónica tem que começar por ser: o próprio. Mas dizer apenas isto é ficar muito longe de uma resposta que possa satisfazer até os menos exigentes. Temos de seguir a sugestão de Marcelo Rebelo de Sousa e começar pela pré-história. Vamos situá-la, não no momento em que Pedro Nuno Santos conspirou para tirar António José Seguro da liderança, oferecendo-a a António Costa, mas um pouco mais à frente, no momento em que o agora ex-ministro galvaniza um congresso socialista com um discurso à esquerda e obriga Costa a avisar que ainda não tinha metido os papéis para a reforma.
Depois disso, Pedro Nuno Santos foi promovido a ministro com uma pasta muito importante, um paradoxo para uma relação que ganhava fama de ser feita entre um líder que não gostava de quem estava na linha da frente para lhe suceder. No entretanto, a Geringonça estava a morrer e a importância política de Pedro Nuno Santos no governo a diminuir. Chega a maioria absoluta e nada muda nesta relação, até ao célebre episódio do despacho do ministro revogado pelo primeiro-ministro.

Paulo Baldaia

António Costa, o novo Dono Disto Tudo

A entrevista de António Costa à revista Visão revela um primeiro-ministro que sabe que não tem concorrência a sério na oposição, que tem no Presidente um amigo e dispõe de milhares de milhões de euros para distribuir. Habituem-se, são mais quatro anos é a garantia que nos deixa o novo Dono Disto Tudo. Sendo que é de Portugal que estamos a falar, onde até os empresários mais liberais estão sempre à espera de ver o que pinga do Estado e onde quase metade dos cidadãos são pobres à espera que os subsídios os tornem um pouco menos pobres, Costa pode dar-se ao luxo de desrespeitar adversários políticos a quem acusa de guinchar e, ainda pior do que isso, confessar o particular gozo que lhe deu fragilizar politicamente o seu ministro das Infraestruturas e da Habitação, considerando que se tratou do "único caso verdadeiramente grave". Ter fragilizado politicamente o ministro que tutela a TAP, que conduz a política de habitação, das estradas e dos caminhos de ferro não tira o sono ao primeiro-ministro, mas devia tirar-nos a nós todos, que sairemos de dez anos de governo de António Costa sem que muitos dos problemas estruturais do país tenham sido resolvidos.

Paulo Baldaia

A guarda pretoriana do Catar

Num país de pouco mais de três milhões de habitantes, o direito a ser cidadão está reservado aos que nascerem filhos de pais cataris. Neste momento, são pouco mais de 300 mil. A renda per capita é das maiores do mundo, com o petróleo e o gás a representarem metade da riqueza anual. A família real ganhou o direito de governar há mais de 100 anos, antes mesmo da passagem do domínio otomano para o domínio britânico, a independência do país tem 51 anos e a Democracia nunca chegou.

Paulo Baldaia

Gente fardada fora-da-lei

É essencial começar por dizer que a notícia dos operacionais da PSP e GNR apanhados numa investigação jornalística a violar a lei e os regulamentos das corporações a que pertencem, cometendo crimes de ódio nas redes sociais, não é o retrato das forças de segurança em Portugal. É o ponto a que chegamos pela cobardia do poder político, sempre incapaz de cortar o mal pela raiz.
Como pode alguém justificar que polícias condenados por crimes cometidos no exercício de funções, tendo de cumprir pena, sejam depois readmitidos na corporação? Como pode alguém justificar que esse mesmo polícia tenha sido promovido dias antes de entrar na prisão para cumprir pena?