Paulo Baldaia

Paulo Baldaia

Um 28 numa Europa a 27

O governo, que lançou foguetes e chamou o mestre de cerimónias para anunciar a Liga dos Campeões e usou Lisboa como exemplo para dar uma medalha de cartão aos profissionais de saúde, está entre a contingência de ter que despedir a ministra da Saúde e a calamidade de aparecer aos olhos de toda a gente, como não sabendo, afinal, o que está a fazer. Até há dois dias, não havia problema algum em Portugal e a questão de não se estar a verificar uma descida consistente de novos casos de Covid-19 na região de Lisboa explicava-se pelo número de testes que estavam a ser realizados.

Paulo Baldaia

Campeões na educação. Pode ser?

Num país em que o combate à Covid-19 nos coloca atualmente nos piores lugares do ranking europeu, depois de termos sido elogiados em vários órgãos de comunicação social do mundo inteiro pela excelência do nosso combate, o novo milagre tem um preço a pagar. É caro? É barato? Não sabemos, ninguém nos diz que cláusulas estão no contrato. A Champions será jogada em Lisboa, num formato parecido com um Europeu de clubes, e só esta insistência num centralismo que reduz um país à sua capital já representa um preço significativo.

Paulo Baldaia

A maior mentira da pandemia

Chegou a ser comovente a forma como encaramos o início da Covid-19, tratando o novo coronavirus como uma coisa democrática que não fazia distinções sociais, ameaçando de igual forma pobres e ricos. Ainda há quem pense assim, porque de facto, apanhados pelo vírus, as consequências seriam iguais para ricos e para pobres. E seria assim, se o vírus circulasse apenas por países com sistemas nacionais de saúde que acodem democraticamente a todos. Mas como sabemos, uma coisa é viver na Europa e outra bem diferente é viver na América Latina, em África e até mesmo nos Estados Unidos da América, onde o sistema de saúde se encarrega de distinguir ricos e pobres.

Paulo Baldaia

Revogável e irrevogável

A mais grave crise política deste governo não chega a ser tão grave como foi a crise da demissão irrevogável de Paulo Portas no governo da coligação. O epicentro do terramoto político foi nas duas vezes a pasta das Finanças, desta vez por causa de uma decisão de Mário Centeno, em 2013 por causa da escolha de Maria Luís Albuquerque para ministra. São de intensidade bem diferente, mas cada uma delas representa, pelo menos até agora, o momento mais difícil para cada um dos governos. Neste momento, interessa-me olhar para o papel do primeiro-ministro e do Presidente da República, que foi crucial, mas que em cada uma dessas crises revelou comportamentos antagónicos dos titulares destes cargos políticos.

Paulo Baldaia

Não enfiem a cabeça na areia

Não há margem para dúvidas, a proposta de criar um plano de confinamento especifico para a comunidade cigana é racista e, por isso mesmo, inconstitucional. Ainda assim, o deputado de extrema-direita fez manchete num jornal e essa manchete foi mostrada por todos os canais de notícias na televisão a vários milhões de portugueses. Uma pesquisa nos motores de busca revela que praticamente todos órgãos de comunicação social, repito, praticamente todos os órgãos de comunicação social deram a notícia do plano do deputado de extrema-direita.