Abusos sexuais na igreja portuguesa: "Haver 400 casos não me parece particularmente elevado"

Marcelo Rebelo de Sousa defende que, por não haver um "limite de tempo" para apresentar queixas, estão a surgir casos com "60, 70 ou 80 anos".

O Presidente da República defende que o número de denúncias de abuso sexual na Igreja Católica em Portugal - e que já ultrapassou as 400 - não lhe parece "particularmente elevado" para a realidade nacional e garante também não estar surpreendido com a situação.

Depois de a comissão independente para os abusos sexuais ter revelado, esta manhã, que já lhe foram reportados 424 casos, Marcelo Rebelo de Sousa procurou interpretar os números nos jardins do Palácio de Belém, apontando que derivam da inexistência de um "limite de tempo para estas queixas".

"Há queixas que vêm de pessoas de 90 ou de 80 anos e que fazem denúncias relativamente ao que sofreram há 60, 70 ou 80 anos", apontou o chefe de Estado antes de acrescentar que o "universo de pessoas que se relacionam com a Igreja Católica" é de "milhões ou de largas centenas de milhares de jovens".

E acabou por assinalar: "Haver 400 casos não me parece que seja particularmente elevado. Noutros países, e com horizontes mais pequenos, houve milhares de casos."

Marcelo não vê também que a questão contamine a imagem da Igreja Católica portuguesa - a preparar as Jornadas Mundiais da Juventude, com a presença do Papa Francisco, em 2023 - por entender que "nunca se é manchado quando se pretende apurar a verdade", um "exercício de liberdade" e algo com que a democracia "ganha sempre" por obrigar as instituições "a reverem-se".

"Todas as instituições, igrejas, escolas, instituições de solidariedade social que tenham um determinado tipo de comportamentos que venha a provar-se criminoso estão obrigadas a fazer uma revisão devida", avisou.

O presidente da comissão independente que está a analisar os casos de abuso na igreja, Pedro Strecht, descreveu esta manhã um problema "com grande expressividade" no país e com maior gravidade quanto mais se recua no tempo.

"Se a maioria dos crimes prescreveram, o sofrimento das vítimas persiste e a ele continuamos atentos e solidários, reforçando sempre o anonimato e o máximo respeito por cada uma delas", assumiu em conferência de imprensa de balanço dos trabalhos da entidade, em Lisboa.

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