Reportagem TSF. Cruz Vermelha pede corredores humanitários em Kherson, de onde Nádia e os filhos já saíram

Reportagem TSF. Cruz Vermelha pede corredores humanitários em Kherson

Nadia, uma mulher de 35 anos, para o carro junto ao primeiro posto de controlo das forças ucranianas, na estrada que liga Kherson a Bashtanka, Viaja com os dois filhos, de 9 e 14 anos. Parece desorientada, pede-nos ajuda para chegar até Odessa. A fita branca que traz pendurada no retrovisor do carro deixa perceber a origem: Kherson, a cidade mais a sul ocupada pelo exército de Moscovo. As autoridades russas obrigam os civis da cidade a utilizar uma fita nos carros e no braço, tal como os soldados russos, o que transforma os civis em potenciais alvos.

Reportagem TSF na Ucrânia. "O bebé nunca saiu da cave enquanto eles ocuparam a aldeia"

Reportagem TSF na Ucrânia. "O bebé nunca saiu da cave enquanto eles ocuparam a aldeia"

"Foi disparado da Crimeia", assegura o médico Yuriy Vikrorovich Schevencko, enquanto mostra o que resta de um míssil que foi abatido pelas defesas ucranianas a 20 de março. Três peças de aço esperam agora ser removidas de um campo agrícola junto à aldeia de Kashpero-Mikolaivka. "Aqui está o motor, veem os propulsores?", pergunta de forma quase retórica. O homem dá mais uns passos. "Este era o depósito, ainda tem combustível." O médico tornado guia aponta depois para a peça maior com quase dois metros de comprimento: "Aquele é o corpo do míssil", explica, numa espécie de aula de anatomia balística.

Reportagem TSF. Tatiana viu o marido ser traído e levado, encontrou-o morto ao pé de russos

Reportagem TSF. Tatiana viu o marido ser traído e levado, encontrou-o morto ao pé de russos

Por toda a Ucrânia há relatos semelhantes aos que chegam das zonas próximas de Kiev. Lotskyne é uma aldeia a centenas de quilómetros da capital, mas também aqui os moradores descrevem abusos, torturas e assassinatos cometidos pelo exército ocupante. "Olhamos para o que aconteceu em Bucha ou Irpin e percebemos que foi uma questão de tempo. Aqui os ocupantes só ficaram seis dias." E ainda assim bastaram para abalar a vida de Tatiana Boshko.

Reportagem TSF.  "As batalhas vão terminar quando acabar o dinheiro na Rússia, lá para o fim de julho"

Reportagem TSF. "As batalhas vão terminar quando acabar o dinheiro na Rússia, lá para o fim de julho"

Há duas semanas Shevchenkove, uma aldeia na estrada que liga Mykolaiv e Kherson, ainda estava em mãos russas. Agora as linhas de Moscovo recuaram seis quilómetros. "Estão ali ao fundo", indica-nos um soldado, apontando para um imenso campo agrícola por semear. "Nós não os vemos, mas ouvimos. Enquanto estivemos na aldeia, os tiros de artilharia não pararam. De um lado e de outro." As tropas ucranianas tentam consolidar as posições conquistadas nos últimos dias, já os russos, que controlam grande parte da região, tentam avançar na direção de Mykolaiv. Na quarta-feira, mais quatro casas foram destruídas em Shevchenkove. Estavam vazias como estão quase todas as da aldeia. O presidente da câmara também não está. Mas não fugiu.

"Recebemos uma prenda do Putin, obrigado por nos libertar. Só não sei do que nos está a libertar"

"Recebemos uma prenda do Putin, obrigado por nos libertar. Só não sei do que nos está a libertar"

"Há muito trabalho no meu departamento, muitas pessoas que precisavam de ser registadas... Temos crianças a nascer que precisam de ser registadas, temos famílias a formar-se independentemente de tudo. Eu caso as pessoas, eu casei os nossos militares." Deitada numa cama do Hospital Regional de Mykolaiv, Marina Andriyaj explica que, apesar de ter sido ferida, não tenciona abandonar o país. "O meu marido insiste, mas eu não vou", acrescenta a mulher de 35 anos.

Explosões no centro de Odessa. Ópera "sem marcas de bombardeamento."

Explosões no centro de Odessa. Ópera "sem marcas de bombardeamento."

O enviado especial da TSF à Ucrânia, Rui Polónio, esteve, na manhã desta segunda-feira, na zona da Ópera, em Odessa que se mantém "sem marcas de bombardeamento". "A Ópera está dentro da zona militar e habitualmente é inacessível aos jornalistas", mas esta segunda-feira foi dada permissão à comunicação social para "constatar que a Ópera não foi atacada". Inicialmente, foi avançada uma primeira informação que dava conta que o alvo das explosões podia ter sido a Ópera, mas a zona permanece intacta.